segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Você está encontrando com você mesmo?

Há momentos em que a gente só quer chorar.
Faltam forças...
Os gritos que ecoam na cabeça perturbam. Desconstroem e se reconstroem de inúmeras maneiras confusas. As discussões que acontecem no cenário cerebral consigo mesmo são dolorosas. Contudo, a verbalização se dá só na imaginação. A gente internaliza. E isso dói profundamente.
Logo se percebe que o caminhar está lento, muitas curvas sinuosas, alguns retornos talvez. Tem-se sucessos, conquistas mas, por vezes, são subjugados pelo peso do sofrimento. Sofrimento esse que vem de todos os âmbitos, seja profissional, pessoal, amistoso, amoroso... Em qualquer uma de suas vertentes, o ser mistura tudo e desaba(fa) na primeira lacuna, na primeira janela disponível. Volta-se para o interior e reflete os danos. Mais uma vez, estaca zero, nada resolvido e um buraco no peito.
Dor.
Os conflitos decorrentes do cotidiano dilaceram e a gente se perde. Uma infinidade de visões vêm sobre as atitudes e a gente se desestabiliza, tenta rever e chega a canto algum. A gente olha ao redor e enxerga muitos como a gente. E compartilha, e vê outras opiniões, e não encontra soluções. A gente suprime os problemas, se cala. Cita-os, outrora, acreditando na resolução, mas só se percebe que deve aprender a conviver com eles. Pois outros sempre estarão engatilhados para surgirem quando esses forem aparentemente resolvidos (ou engolidos). Os que entalam, sempre voltam, nem sempre de maneira agradável ou aceitável.
A cada novo dia, novas indagações. A gente acorda procurando vivenciar um dia melhor que o anterior. A cada acordar, a gente olha no espelho e espera visualizar uma aparência razoável para encontrar o mundo lá fora. Mas, e no mundo aqui dentro, a gente tem se encontrado?

domingo, 14 de setembro de 2014

Transições

A efemeridade da vida terrena me assusta.
E me tranquiliza...
Apego-me, prendo-me, hipnotizo-me.
Quando menos espero, tudo se foi.
Ou melhor, quase tudo.
Atenho às memórias remanescentes de uma vida com
início, meio e fim.
Recomeça-se o ciclo.
Com ele, nova vida e novas memórias.
A sensação do recomeço é tão assustadora quanto a tal efemeridade.
Passado o instante de adaptação, vem o êxtase,
o prazer de se acondicionar na nova jornada,
nesse momento pós introspecção.
Mostrar-se ao mundo um novo eu,
com cicatrizes do velho e indícios do próximo.
Talvez com os mesmos erros, tropeços
mas com uma forma distinta de encará-los.
Não há como apagar o que já foi escrito no roteiro da vida,
porém com novos personagens,
novas histórias serão elencadas para essa peça real,
sem cortes, sem regravações,
com o imenso tesão de ser o protagonista.
Sim, somos os mais importantes em nossos contos
e precisamos aceitar os coadjuvantes,
porque o brilho solitário esmaece; o coletivo, transborda.
Vem, mundo, eleva-me à renovação.
Desgruda-me do velho eu e coloque-me no caminho do próximo que,
ansiosamente, aguarda sua chegada triunfal.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A mim

Encare-me nos olhos.
Observe-me.
Perceba-me através de minh'alma.
Envolva-me com um sorriso.
Sinta-me com o toque da mão.
Deite-me ao teu lado.
Sussurre-me algumas palavras ao ouvido.
Abrace-me forte.
Cante-me uma canção.
Acalente-me em teu aconchego.
Pegue-me forte.
Vire-me do avesso.
Deslize-me.
Realize-me.
Viva-me.

Apaixone-se.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Lágrimas

Hoje eu chorei. De alegria, de raiva. Chorei de tristeza, de felicidade...

O vazio e a plenitude tomaram conta de mim. Pois tento lutar contra e o mundo insiste em investir a favor. É uma liberdade de mãos e pés atados.
Ouvi uma música. Todos os dias, alguma música. Canto para me desencantar e o meu encanto vem com o seu olhar. O semblante, não mais o mesmo, preenche, junto com a lembranças, sua saída fugaz, repentina e gradual.
O que resta são as doces ilusões de um sonho, faces de pessoas desinteressantes. Tornei-me uma delas, desinteressante. Elegante, retorno ao espaço que me conforta, fugindo do pensar.
Prendo-me às palavras confusas que permeiam a folha de papel. Lá fora, a vida continua, sem brilho, presenteada pela beleza da Lua, companheira noturna, vezes cheia, outras pela metade, algumas nula, sem estar totalmente ali. Minha fase é essa, tal qual esmaecida.

Hoje eu chorei de amor...

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

(Re) Estruturando

Faltam-me palavras...
Verbalizar as sensações é como enfrentar todos os medos de uma única vez: assustador.
Recaio sempre no mesmo lugar, o posto do pensamento, o local do refúgio.
Lugar onde minhas ideias aparentemente se alinham momentaneamente, construindo em minha mente, frases conexas, coesas. Com sentido até mesmo para mim, que as sinto embaralhadas inúmeras vezes.
E, quando permito que esse inconsciente trabalhe, é como se eu liberasse doses de êxtase para o meu ser, como se eu desabafasse para mim mesmo, como se eu descarregasse o fardo que se é pensar.
Rever conceitos, analisar atitudes, entender e se desentender...
Volto-me em direção ao meu interior, buscando desfrutar um pouco mais da sensação que é se compreender, ainda que de maneira remota e singela.
Nesses momentos, fico perplexo com a capacidade do ser humano de auto análise, de se flagelar e de se vangloriar. Ora por se acreditar em decisões corretas, ora pelo receio das ações equivocadas.
Estudar-se não é uma tarefa simples. Não é como resolver uma equação exata ou responder uma questão objetiva. Vai muito além do um mais um é igual a dois. A resposta pode ser um mesmo, ou três, pode até ser uma resposta negativa. Tudo isso depende da maneira como se enxerga essa soma.
De forma subjetiva, somar-se pode englobar todas as operações matemáticas e, talvez por isso, tenhamos uma infinidade de respostas corretas (ou aceitáveis). Só depende exclusivamente de como se olha para elas e como se as entende.
Recolher-me-ei ao encanto dos sonhos, onde sempre se dá um jeito de tornar nossos pensamentos em frases coerentes, compreensíveis e tão bonitas, que chegam a ser complexas na sua essência. Permitir-me-ei viver assim, na crença de que o que vivemos não é por acaso, é uma combinação de fatores promovidos pelo destino de cada um de nós...
E tenho dito.

domingo, 27 de julho de 2014

E preciso falar

Ah, esse tal amor... Chega a ser cômico tentar descrevê-lo. E, se me perguntarem o porquê, direi simplesmente: único. Único? Como assim? A palavra é única, a sensação é única, o sentimento também o é. Às vezes paro para pensar como se pode medi-lo. Rondam-me várias maneiras para se mensurar, seja quantitativa ou qualitativamente. É querer um bem maior que o próprio bem, é se olhar e ver mais alguém, uma mistura de completar e complementar. Perco-me em meio a tantas definições, tantos pensamentos que poderia passar a vida toda tomando nota de mais uma explicação. Aliás, já tenho feito isso, por toda a vida que desfrutei. Volto a dizer o quão cômico isso se torna. Talvez por conta do riso bobo que isso provoca, ou pela gargalhada gostosa de um momento incontrolável de cócegas. Pode ser o sorriso dos olhos quando se encontra, mesmo tendo se visto há poucas horas, o sorriso da tranquilidade, da serenidade, até a risada da própria risada.
Mas ainda existe o lado, de certa forma, trágico... Quando o amor se depara com outros companheiros mundanos. Quando vai de encontro a uma insatisfação, ou ao abordar um sofrer. Ouvi dizer que o sofrimento não provém do que se viveu e sim do que se projetou e não será (foi) vivido. E lá vem o tal amor indefinido novamente... Como pode ser tão complexo assim? Como pode confundir, desnortear e dar apoio assim? O intrigante desse sentimento são essas variáveis complexas que o acompanham.
Todavia, se me perguntarem ainda se o amor acaba ou se há possibilidade de desistir dele, respondo tão simples quanto a unicidade dele: Não. Ele camufla, ele adormece, ele se esconde em meio a tantos artefatos e artifícios que o mundo oferece.
De tudo isso, ainda fica aqui o relato de um "amador", "amante" ou, melhor dizendo, de uma pessoa que se aventura em continuar a amar sempre: Eu Amo, com todas as realizações e turbulências, com todos os prós e contras, com todos que ajudam e atrapalham, pois, ao repousar minha cabeça em meu leito ao anoitecer, o amor me confortará!


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Meu mundo de mudanças

A vida rotineira é sempre vista como entediante, massante, azucrinante...
Acredito que seja verdade.
Mas hábitos deveriam ser mantidos, pelo menos alguns.
Estamos em constante mudança. Isso é compreensível.
E não é que eu não aceite, apenas levo um tempo a mais para me adaptar.
Gostaria que amigos não se perdessem ou não se afastassem.
Que os momentos bons voltassem à tona.
Que a alegria das festas se repetissem.
É quando nos recorremos à nostalgia.
Como minha mente é plena de riqueza das situações que vivi!
Lembro até das mensagens que recebi.
Ah, as mensagens...
Elas me provocam uma sensação inexplicável.
As palavras tem um dom de expressarem um sentimento quando são escritas.
É como se eu pudesse ler a expressão da alma da pessoa que emite.
Ao passo que, quando essas expressões mudam e, com isso, a disposição das palavras, fico desestabilizado.
Seria hipocrisia da minha parte dizer que não sinto falta de algumas.
E digo que estou aprendendo a entender o mundo de maneira diferente.
O meu mundo.
Na essência, gostaria de não viver tanto na nostalgia.
Em suma, estou gostando de me por à prova da diferença das pessoas.