quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Novo Dia

Troquei os pés pelas mãos.
Perdi-me na complexidade do meu eu.
E pude sentir a dificuldade de expressar o que sinto.

Mais ainda, ficou difícil SENTIR...
Agi por impulso e agora a cautela veio reinar meus atos.

SERÁ?

Meu instinto confere a mim um poder de escolher como e quando.
Não penso, simplesmente faço.

CONSEQÜÊNCIAS inconseqüentes.

Então fujo para preservar-me e vem à tona um outro ser que domina o meu eu, faz o que acha conveniente, depois me deixa ali, sentado - um cigarro, um café e uns pensamentos arredios; assistindo de camarote o CAOS.

E me deixa as LÁGRIMAS, jorrantes, companhia do meu desespero.
Ao secá-las, limpo também a ferida.

Adormeço e preparo-me para a PRÓXIMA batalha.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mundo Paralelo

Hoje eu acordei muito bem. E foi diferente. Estagnei-me perante a janela da sala, encantado com o azul do céu. Pude me perder embalado pelo canto dos pássaros, pelo frescor da brisa, pelo aroma das flores na primavera, pelo orvalho emaranhado em meio a folhas esverdeadas...

Fiquei ali a observar as pessoas caminharem em direção a seus compromissos. Algumas passadas mais velozes, denotando certo atraso, outras mais tranquilas, remetendo ao meu ser naquele instante.

Talvez, nesse momento, meu inconsciente tenha dado valor a minha noite de sono. Serena. Calma. Aos poucos, fui percebendo que as peças do quebra cabeças da vida encaixavam-se tão perfeitamente, a ponto de não precisar criar rebuliços que pudessem desencadear um estresse matutino.

Água a ferver, o pó mais escuro, algumas colheres de açúcar... Lá estava eu, novamente na janela. Acompanhado de uma xícara de café e aquele cigarro matinal, deparei-me com um semblante mais ameno dos problemas recorrentes. Meu olhar, inocente como o de uma criança, nem sequer relutou para encarar, naquele instante, que haviam retificações a serem feitas. Eu precisava rever conceitos, caminhar sob outros trilhos, mas abstive disso, momentaneamente.

Acalentei-me no meu recôncavo e adormeci. Vislumbrei um dia maravilhoso em algumas horas de solidão.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Regenerando-se

Um flerte. A troca de olhares e a reciprocidade sem palavras. Vê-se começar mais um conto da vida...

E a entrega acontece pé ante pé, conhece-se aos poucos, mas a fluidez dos pensamentos é quase que na velocidade da luz (quando não é maior!). As conversas são mais ricas, as coincidências passam a ser destino, o sentimento é remodelado. São totalmente um do outro.

Loucos, insanos, encontram-se presos e livres, de modo a se permitirem tamanha troca. Inexplicavelmente, um depende do outro e vice versa. Alma e carne já tem tatuados os detalhes de cada ser envolvido.

E, ao caminhar dos acontecimentos, ficam envoltos de sensações estupendas, num indo e vindo de informações que os completam, que os atiçam, que os permitem vislumbrar tantas coisas juntos mas, por enquanto, tudo fica preso na imaginação. Pudor (ah, sempre ele!). Ainda não é chegada a hora de ir além.

Incessantemente, são tomados pelos lapsos da mente. As necessidades são outras, não estando completas apenas com o carinho, o toque, o beijo. E, nesse momento, é que se tem consciência de que precisam dar um passo maior, com um nível de intimidade mais extremo, mais carnal.

Corpos se atracando, submetidos às intempéries do sentimento. Um misto de frenesi e aconchego, vulgaridade e companheirismo. Dois corpos em unidade. E aquela estranha empatia ganha novo formato, mais coeso, mais completo. Em termos...

Nesse vínculo, estão agregados alguns impasses: pessoas inconformadas com a felicidades alheia, famílias que não conseguem discernir entre o que pensam e o que a sociedade impõe, "amigos" com seus conselhos e, não obstante, ciúme doentio. É o fim, um drama que concede um longo momento de sofrimento. Sente-se que não há mais retorno, habitando-se um profundo poço de amargura, perdido em lágrimas que não cessam, afogado em extrema desilusão.

A distância entre o ponto final e o próximo capítulo de uma nova história fere, dilacera, atordoa.¹ Faz-se necessária. Todavia, as consequencias de uma passagem são as mais devastadoras. Perde-se o chão, encontra-se o medo e a sensação de que, ao passo que não se enxerga a possibilidade do novo, também não se sabe como procederá, caso ocorra, um novo escrito no livro das peripécias terrenas.

Seu mundo, por ora, acabou...

¹ Trecho adaptado de Rafael Augusto,
meu tutor, minha referência,
meu parâmetro e anseio.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Efêmero

Era apenas a primeira tarde com aqueles novos amigos. Os olhos meio esbugalhados, sensação de um “peixe fora d’água”. Fora obrigado a se enturmar. Observara cada detalhe que o circundava... Imagens, objetos, movimentos...

Colocaram-no numa roda de piadas para tirá-lo do sério. Uma pessoa chamou-lhe com os olhos, e foi recíproco. Um sorriso veio, mas antes se sentira atônito. Via-se uma gota de tensão rolar por sua face. Essa o ensinaria a arte do galanteador. Pôde-se ver um talento nato.

O primeiro passo foi ali mesmo, barbeando-lhe aquela “sujeira” logo abaixo do nariz... E pôs-lhe um par de óculos escuros, charmeado-o mais ainda. E, quando deu as caras, quando o holofote principal cobriu-lhe de luz, sussurros e murmúrios foram percebidos no entorno. A válvula bicúspide liberava mais sangue que o normal...

Era só o princípio de tudo. A partir daí, cada oportunidade era muito bem utilizada, desde corrigir seu jeito desengonçado de andar até a gentileza de se sentar à mesa com uma dama. Contudo, seus olhos analisariam profundamente aquele ser que o ensinara, e não exatamente a ragazza de que tanto falavam.

Certa vez, suas mãos trêmulas foram postas em xeque. A cabeça não se mantinha ereta, aquele corpo esguio em sua frente concebia tantas outras tentações, mas a turbulência de informações não o permitia raciocinar. Simplesmente conduzia tal situação da maneira mais natural (bem, nem tão natural assim...)

Logo, caiu-se em desgosto. Já não queria mais estar ali. Já não se sentia tão bem, não era isso que ele havia proposto naquele primeiro olhar. Só queria ter uma chance de se aproximar. Você veio, e lhe mostrou outro lado que ele já conhecia, só não lhe apetecia tanto. Ele se confundiu, e, conseqüentemente, confundiu-lhe.

E viu-lhe pensativo, lavando corpo e alma. Já não se sentia tão à vontade, pois sua confusão não o deixou enxergar nada além... Aproximou-se, e, com seus próprios ensinamentos, tocou-lhe o rosto. Por um milésimo de segundo, teve a sensação de que poderia ir além, mas era tarde, tarde demais. Ele se perdeu...

"Gosto muito de você, mas agora é hora de gostar mais de mim..."

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Contando os dias

Nunca pensei que a vida pudesse ter tantos obstáculos para a felicidade...

Quis eu, algum dia, acreditar que sim, amizades fossem para sempre. Em vão. Descobri, da maneira mais árdua e dolorosa, que o havia sido dito por Renato Russo era a mais pura verdade. Sei que devemos continuar, por vezes, com as nossas próprias pernas, o que não é fácil, mas se faz necessário no momento.

Talvez eu estivesse vivendo uma ilusão. Pego-me pensando nisso quando estou recolhido no conforto do meu travesseiro cheio de lágrimas. E, mais ainda, pergunto-me, inúmeras vezes, o motivo de me entregar tanto, de querer estar tão presente. Parece, de fato, ser a atitude mais errada, porque nunca é valorizada. Só não vou saber mudar isso, pois características inerentes a cada um de nós não são simplesmente deixadas de lado.

Vivo com a dor (e também o sofrimento que, no meu caso, já não é mais opcional). A perda já tem sido menos difícil, mas nunca é passada em branco, porque alimento-me de sentimentos. Uma vez cogitei a possibilidade de alguém viver no meu tempo, caminhar na velocidade dos meus passos, enxergar da maneira que eu via. Os frutos, vieram depois do término, mas, ainda sim, frutificaram.

Hoje, a situação foi outra: queriam que EU estivesse visualisando e absorvendo informações na forma e no tempo de outrem. Todavia, inconscientemente eu sabia que não adiantaria. Cada um tem o seu "passo".

E, mais uma vez, ao som da voz melancólica do meu ser, mas, dessa vez, sem lágrimas porque a situação não requer, vou respirando de um modo diferente, com um olhar mais seco, com um coração menos entregue e com a alma ferida, porém, coberta. Por quê? Para que não vejam como estou nem sintam pena...

Preocupei muito com você e, no final, esqueci de mim...

"Em algum dia, minha vida parou e eu estava em um mundo paralelo, onde o irreal era tão verdadeiro que me prendeu no tempo..."

domingo, 18 de setembro de 2011

Tentativas...

A imensidão do meu confuso eu acaba por ser capaz de prover pensamentos longíquos e tortuosos, perambulando entre labirintos repletos de informações pertinentes e outras, um pouco menos. Mas são essas outras que confabulam entre si e causam uma dualidade, desencadeando momentos únicos e, na maioria das vezes, não tão claros.

Soerguem, em meus poros, um ar de dúvida. Formulam-se ambiguidades que nada me acrescentam, a não ser situações que requerem um pouco mais de "sobriedade" de minha mente para que eu consiga peneirá-las, calculando um "denominador comum", e sirvam para expressar, ao, menos, uma parte de esclarecimentos.

A partir de então, luzes de sabedoria minam bem distantes. Eis que aparenta-se ter uma solução. O problema é que parecer não denota o real ser. E, ao buscar a veracidade, ao tentar averiguar algumas respostas, podemos nos deparar com uma falha, um equívoco, desmoronando toda e qualquer resolução que se havia obtido.

É dada a hora do recomeço. Parte desgastante do pensar em solucionar. Um tropeço, um obstáculo não vencido, é suficiente para colocar em xeque o ânimo para se tentar. Além, é claro, da possibilidade de um outro deslize, fator que, se visto como sendo maior que a força de vontade, não permitirá que prossigamos nessa saga de descobertas. E aí, meu caro, lute, enfrente, seja grande!

A mente precisa ser condicionada a não se desmotivar com o fracasso. O ser pensante tem, como obrigação, verificar a existência de um dispositivo capaz de desligar as idéias relacionadas à derrota. Pelo menos enquanto o importante é saber/descobrir o porquê mascarado nas entrelinhas do impertinente.

"Manhãs de sol aceleram a fluidez da minha mente;
entretanto, as lágrimas ao luar embaçam meus pensamentos."

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Postulados da vida real

Experimentei, ou melhor, tenho vivenciado alguns bons momentos de utilidade pública. A confiança que me têm sido depositada me faz sentir importante, usando o dom da oratória para promover um pouco de conforto. Recorrente, as pessoas, por um descuido, um lapso mental, descarregam em mim informações preciosíssimas sobre suas peripécias terrenas.

Pode ser dia, noite, domingo, feriado, prontamente estarei ali, servindo de consolo, amparando ou simplesmente ouvindo. O ser humano é debilitado, não consegue canalizar de maneira positiva o bom senso que é necessário em determinadas circunstâncias. Bem ou mal, tenho eu feito isso há alguns anos, desde os primórdios da minha adolescência.

Provoca em mim um êxtase colossal ver em meio a olhares perdidos, desnorteados ou sobrecarregados, uma imensa gratidão. A felicidade de outrem traz também o meu bem estar (acompanhado de uma pitadinha de inveja).

Contudo, essa minúscula dose de pecado capital tem um vínculo com o âmago do meu ser: a frustração de não saber dar linearidade a meus pensamentos, capaz de adequar as palavras ditas aos outros para o meu próprio desempenho. Ter a consciência do que deve ser feito, e não possuir habilidade de executar!

Dessa forma, desencadeia em mim um sentimento incompleto, opaco e, de certa maneira, indecifrável. E o acúmulo de mistérios sem explicações nem conclusões acabam por não trazer tanta valia para mim, a não ser o prazer e a satisfação de ter sido importante para outra pessoa.

Quero facilitar, mas a vida dificulta. Quero fluência, mas as situações se complicam. Preciso desenrolar, porém me vejo cada vez mais emaranhado em novelos repletos de incógnitas, como em um sistema de três variáveis e duas equações. E o que eu sinto, somado ao que eu deveria/precisaria fazer, assumem o valor não dedutível desse sistema.

"Não sei aplicar minhas teorias em mim..."

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Inevitavelmente banal

Por quê?!

Sentimo-nos sós. E, por momentos, apelamos para atitudes inpensadas, comportamentos fora dos nossos padrões, palavras pronunciadas ao vento... Perdemo-nos dentro de tudo que cabe em nós! E o pior, não agimos por mal, talvez seja apenas uma maneira de tentarmos nos completar. Inutilmente, vemos que foi em vão. A frustração de estarmos conosco apenas. Mais uma vez... Vezes arriscamos mudar a forma, as investidas, as máscaras, resguardando o que somos na essência, simplesmente para viver e ver a vida sob outra perspectiva. O que não é saciada é a verdadeira vontade que temos: a de não estarmos sós!

Voltamos a estaca zero, onde tudo começou. Onde foi e, pior, o que houve para que existisse essa necessidade de nos completarmos? Auto suficiência sempre foi o meu nome. Pelo menos durante um bom tempo (bem considerável). O problema é que não flui mais assim, fiquei por aí, nessas amargas alamedas da vida, sem saber o que fazer exatamente... Deparar-se com situações novas sempre nos dá uma sensação confusa, de medo do desconhecido, provendo aos lábios um sabor de dúvida e curiosidade. E essas interrogações propiciam um mundo novo que, simultaneamente, enriquece e complica. Deixamos de ser uma mente e um corpo e passamos a ter aquela chamada de experiência de vida (na verdade, o príncipio dela).

Ao longo da aquisição dessas experiências, conseguimos expandir os horizontes, com análises mais criteriosas, enxergando os pormenores ao nosso redor. Talvez seja esse o fator complicador da nossa vida: saber o quão intrigante ela pode ser... E, numa justaposição de valores, acabamos por compreender mais e menos sobre nós mesmos e, não obstante, sobre o nosso comportamento.

Retomando a questão confusa, a de entendermos o porquê e/ou não querermos estar sozinhos (física ou emocionalmente), é que tentamos passar por cima de nós mesmos ou agir de forma inconsequente, sem ao menos avaliar Os Planos B's. Tudo pode ser facilmente justificado pelo fato de sermos carentes por natureza, mesmo os que se julgam mais fortes. O que não implica que seja fácil compreender nem mensurar essa carência, tampouco o que podemos fazer para não nos sentirmos assim.

São coisas da vida...


"Nos seus olhos pude ver a inocência de uma criança e o olhar intrigante de maturidade. Esse mistério me afugenta e me desperta, vertiginosamente... [Além de não saber como fazer pra ter um jeito meu de me mostrar...]"

sábado, 3 de setembro de 2011

Deslizes...

Que comportamento estranho... Esse ser que se apodera do meu corpo não me permite falar.

Através de ti exponho o meu eu mais íntimo e sem ti sou alguém incapaz de me expressar tão claramente... Torno-me uma pessoa acanhada e todo meu arsenal de vocábulos se restringe a meras atitudes desconexas.

Permito-me um pouco, todavia fico mascarado por esse disfarce maroto, de um garoto frágil e bobo. Pudera (e quisera) eu agir de maneira mais natural, porém me sinto de mãos e pés atados, aguardando a oportunidade de você me perceber aqui, nesse canto, pairando olhares por sobre as pessoas, procurando-lhe nessa mistura de sons, fumaça e vozes. Vozes que ecoam em minha mente e não me deixam agir, fazendo com que eu fique a mercê de um outro alguém.

A cabeça perdida nessa confusão e eu continuo lá, com um drink qualquer e um cigarro em outra mão, desfrutando daquele momento de uma forma sútil, aproveitando para planejar uma abrodagem mais direta.

Em vão.

Fatalmente chegarei perto de você mais uma vez com o mesmo olhar abobado, sem forças para mostrar-lhe o meu encanto, sem sussurros que acalentem seus ouvidos, sem lábios macios que possam lhe envolver, sentir o gosto dos seus, os quais cobrem um sorriso inocente e maduro, concebendo-me uma ideia de um ser forte e suscetível mas, sem jeito, fico só analisando de "longe", imaginando como seria transgredir os limites da minha imaginação para alguns segundos de realidade!

Ouço passos, e rumores de que você não está mais lá. Eis que me surge uma possibilidade, não muito segura, mas uma possibilidade. Entre um pedaço de papel e uma caneta, dedico-lhe algumas palavras que consegui, pelo menos dessa maneira: "Desculpe a indiscrição, mas só sei falar com olhares e palavras escritas".

Talvez tenha sido um último contato, mas o suficiente para me confortar momentaneamente. Por mais sútil e infantil que possa ter sido, a transgressão de parte da minha mente foi feita e, certo de que você sabe que fui eu, nem me dei ao trabalho de assinar. E assim, alimento uma esperança de ter lhe encorajado a fazer algo mais, seja querer saber mais ou simplesmente nunca mais me ver!

Eu fui além de mim...

sábado, 27 de agosto de 2011

Mais um ciclo...

Términos são inevitáveis. Assim como necessidades fisiológicas...
Tão inevitável quanto são os pensamentos que rondam nossas mentes!

Outro dia parei e lembrei de cada situação pelas quais passamos. Não fora diferente; algumas lágrimas tomaram conta de minh'alma, o que torna mais difícil cair no esquecimento. Os abraços, os beijos, as conversas, tudo, absolutamente tudo, promove um misto de bem estar e confusão.

Acontece que nem tudo são flores. Essa tal história do felizes para sempre vem acompanhada de tantos outros itens adicionais como carinho, lealdade, confiança... Não há casamentos baseados apenas em amor. Se assim o fosse, amizades também terminariam!
E nesse mundo de conflitos de idéias/ideais, eu perdi, tu perdestes, nós perdemos...

Contudo, a certeza de que nada foi em vão. Adaptações em nossas opiniões, experiências para um próximo, possibilidade de corrigir os erros e, mais ainda, aprimorar nossos acertos. Estive ali, num cantinho do meu quarto, fazendo minhas anotações para memorizar tudo (o que é impossível, pois nós, seres humanos, agimos com o coração na maior parte das vezes). A razão é um item indispensável, mas não atua durante todo o tempo.

Eis-me aqui, mais uma vez, detalhando uma outra passagem dessa minha vida terrena, suprindo-me com palavras confusas, pensamentos distorcidos, memórias de um amor que já não sei quanto amor é! Sei que foi muito grande, mas ele adormeceu, estagnou-se.

Inevitavelmente, escondeu-se em meio a tantas palavras...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sensatez Melancólica

Para que palavras
se o meu ser nem sequer consegue decifrar meus sentimentos?

Para que lutar
se meu corpo não esboça um resquício de força para se movimentar?

Para que encantar-me
se meus olhos estão embaçados e os ouvidos não absorvem informações?

Para que chorar
se meu ribeirão de lágrimas secou-se mais que um rio "árido"?

Para que sorrir
se a beleza dos meus lábios ficou ofuscada pelo meu semblante amarelado?

Para que viver
se já não há motivos aparentes para que eu possa desbravar?


Escrevo
pois assim consigo me perder e me encontrar...

Batalho
pois se desisto não tenho história...

Fascino-me
pois permito-me sofrer e deleitar-me em sonhos teus...

Aflijo-me
pois posso diminuir a profundidade da dor em meus prantos...

Alegro-me
pois o amor próprio que me acomete não esmaece...

Existo
pois acredito nas minhas buscas e isso me basta para persistir...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Nem tão Virtual...

Em meio a tantos outros, eu te vi...
Parecia preso num mundo de conceitos e preconceitos, mas estava lá.
Logo ouvi um som, que acalentava!
Nesse som, pude escutar um pouco de tua alma. Arrebatador.
Em pouco tempo de conversa, um diálogo aconchegante, estávamos lá, entregues.
De corpo e alma!
E, unidos através da distância, conseguíamos nos sentir...
Pude me permitir e, simultaneamente, vi, pelo seu olhar moleque, a sua permissão.
A partir daí, nem mesmo palavras poderiam descrever essa sensação... Gostosa. Mágica!
Nem pude crer que tu estavas ali, comigo, desfrutando cada milésimo de segundo.
Não era apenas mais um, havia algo além... Bem além.
Percebi que a entrega foi peculiar. E foi tão linda! (Obrigado)
Cá estou, mas você não... (Não fisicamente...)
Mas sinto-te, quase como ao meu lado!
Venha, estou aqui... Minha metade ainda precisa de um outro alguém...

Cá estou...

domingo, 21 de agosto de 2011

Soneto de um Louco

Abocanhar-te-ei, ó, sabedoria
Infinda sê tua complexidade
Demasiadamente a tão verdade
Hipnotizar-me-á em tua ironia

Paulatinamente, procuro sim,
Em um contínuo lapso de amargura,
Provar-te, em tua eterna doçura,
O mel que acalentar-me-á sem fim

Porque nesses meus mal traçados versos
Escondem-se a aflição tão fugaz
De um alguém em constantes processos

Pairá de forma chamada tenaz
Conclusões vindas de muitos acessos
Provendo uma solução mais sagaz

Instinto Maternal

Cada vez mais cômica é essa vida passageira. Ao passo que se vê rodeado de pessoas demonstrando uma força colossal, cada vez mais torna-se difícil acreditar que elas estão bem consigo. E, a partir dessa colocação, propõe-se a ajudá-las.

Nesse momento, surge uma vontade descontrolada de falar. Ou melhor, a situação pede que alguém entre em ação. Sempre os mesmos entram... Como fazer para que não se tenha tal atitude? Fica-se impossibilitado de não se fazer nada e, quando menos se percebe, está lá, novamente, balbuciando palavras que se convergem em praticamente um monólogo, vulgarmente visto como um sermão, todavia podendo ser chamado de conselho. Ou conselhos.

O que se passa nas mentes desses descuidados com sua pessoa que não param um minuto sequer para refletirem sobre seus comportamentos/atitudes? Por que insistem em tentar se enganar para camuflar uma vida de amargura e sofrimento?

Tais lapsos tendem a transtornos imensuráveis, culminando numa exposição metódica em que o emissor é taxado de ser dotado de sabedoria infinita (ou mesmo de um qualquer tentando esboçar pretensão de superioridade, manifestação ostensiva de arrogancia), comparável a uma mãe explicando o sentido da vida para um filho.

Contudo, depois de tantas falas (e possíveis falácias), após uma série de tentativas persuasivas, mesmo com toda a retórica muito exemplar, chega-se a um outro problema: e se o emissor também for dotado desses conflitos que agridem de maneira absurda a mente? (E se ele também estiver sendo um camaleão?!) Quem terá a predisposição de ser o protagonista do ato da comunicação? Talvez não exista um ser para que o instrutor seja também instruido...

E assim, vê-se um acúmulo de problemas e (pré)conceitos e desfalques de neurônios no intuito de se amparar alguém e, todavia, nem sequer ter a possibilidade de ser amparado. A quem recorrer numa situação dessa? Alguém quer ser "mãe"?

"Talvez seja só carencia, talvez seja solidão, mas o ser humano não está tão preparado para uma sobrecarga de emoção!"

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dois...

No fundo a gente quer
amar, gostar, sentir.
Se embebedar em palavras.
Depois se atracar em beijos,
surrurrando estrofes,
se deliciando em sílabas.
Apaixonar-se idiotamente,
providenciando em olhares
um resquício de saudade,
de ficar juntinho,
admirando-se rumo ao horizonte...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Enfim Só

Em meio às negras nuvens, no silêncio escuro de minh'alma, sinto um vazio que dói.. Muito. Descontrolado. O movimento de minhas pálpebras ameaça permitir que prantos rolem de meus olhos. Tão logo, encontro-me e perco-me na frieza do meu ser, com tantas pessoas ao redor. Solitário. Cadê minha infância, o meu "eu" brincalhão?

Guardado, em alguma gaveta, está o diário, com lágrimas de um dia em que eu estava folheando-o, relendo os momentos felizes.

Dói. Ah, como dói. Não há tanto tempo para brincadeiras, as companhias já são outras. O mundo também. Eu não, ainda estou aqui, confessando meus medos e realidade. Nua e crua.

Não gosto mais de mim, já não sou mais o que quero ser. Estou em um lugar onde preciso ser notado fingindo ser outro alguém. Escolhi Otávio. Otávio Braga. Não me reconhecerão. Estarei naquela gaveta, em meio às páginas borradas, lacrimejadas. Perdido e achado.

Enquanto isso, um ator. Na vida real, quem diria! Procurando se adequar aos novos princípios, confusos. Brutais. Massacrantes. Quero te encontrar, saber quem é você, conhecê-lo melhor, viver à sua maneira. E perguntar: "É verdade? Você existe?". Existi, e fui covardemente atacado pela sociedade.

Venha, volte comigo! Não posso, estou resguardando o pouco que restou...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Preso no tempo

O sorriso.
Um olhar penetrante.
Seu jeito meigo me cativou.
Desconcertou-me.
Estava desprevenido, chamou-me a atenção.
Arrebatador, veio sem avisar e conquistou-me!

(Ah, o lance da conquista...)

Sublime e intenso.
Sorrateiramente veio.
E marcou um lugar.
Minha mente é plena de pensamentos seus.
Não amo, tempo falta.
Encanto define, e muito bem.
Fiquei bobo, e foi bom.
Está sendo, a propósito.
Quero sentir seu rosto, sua pele, sua pulsação, seu toque.
E a certeza de que te verei e tão avassalador será.
Beijar-te na calada da noite me alimentou a alma, por instantes!
Tomou meu corpo por completo.

Quero...

Memórias do que não vi (Borbulhando)

Um minuto. Foi o tempo que tive para tentar juntar o maior número de informações visuais, processar tudo e deixar minha mente promíscua viajar através de um mundo que vi pela janela da sala. No mesmo lugar onde divido os momentos com aquela pessoa.

Não consigo expressar, mas sei o que senti. E sinto. Uma mistura de curiosidade e êxtase. Imaginar esses corpos se atracando, num movimento animal, voraz. Estranho, por ser desconhecido, e agradável, por causar tamanha confusão psicológica. Afoito. Intriga-me o fato de saber e, ao mesmo tempo, não saber.

Dois e nada mais. Quentes (notoriamente quentes), no calor do domingo morto. Buscando exalar fluidos corporais. E o que pensar? Não sei canalizar as informações, flutuam numa velocidade tão intensa quanto o sangue ferve em minhas veias. Sensual e sexual, por que não?

O seu suor escorre por sobre o meu. Essa chama arde, puntualmente. E queima paredes, lençóis, o chão do meu quarto. Não estou com você, talvez em carne, contudo, minha alma mente e a minha mente acalma a alma, por instantes, satisfazendo-me na cama. Sem confortar meu espírito, deixando-o de lado.

É chegada a hora. O auge, o ápice desse momento. Tiro o que não me pertence mais (ou melhor, não lhe pertence). Recolho o que é meu, visto minhas roupas, lavo minhas mãos e rosto. Enxergo-me novamente através do espelho. Minh'alma dá uma espiadela, sem me recriminar. Foi necessário! Saio por essa porta. E eu, ali na janela, espero-te.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Como será o amanhã?!

Talvez melhor que o hoje... Quero viver para vê-lo.
Por enquanto, aguardo-o, observando o caminhar do dia, das pessoas ao meu redor...
Faço análises do cotidiano, e tento me inserir nesse mundo. Louco.

Essas palavras tentam expressar o que eu vejo, mas não vejo nada... Se eu vi, não estou captando as informações. Perdido, sem direção.

Um grito de socorro. Afônico... Alguém aí?! Estou na minha gaveta ainda, escondido em minhas palavras rabiscadas num diário velho, borrado de lágrimas. Não vá chorar, não chore mais. Estou aqui para socorrê-lo, segure minha mão. Trêmula. E não a largue, resgatar-lhe-ei. E vejo um sorriso, ainda que carregado de tristeza, mas um sorriso. Simples, envergonhado.

Sabia que você ainda estava por aí, eu senti. Mas não tenho certeza se é você, aparenta estar diferente... É alguma mudança (franzindo a testa)? É só mais um que se apresenta por aqui... Um dos muitos que se possuiu de um corpo confuso, suscetível, que encontrei pelos caminhos tortuosos da vida. Seja bem vindo, meu caro.

Quer conversar? Você está meio arredio, meio distante! Não estou, SOU assim. E não faço questão de saber se você concorda ou não com minhas atitudes. Se quiser, pode me acompanhar, apenas não me perturbe. Quero caminhar ao seu lado, conhecê-lo melhor, entender que pessoa é você... Não sou ninguém, sou todo mundo, o que eu quiser ser. Veja nos meus olhos castanhos o que falo, não leia minhas palavras. Sutil. Quase imperceptível. Sinceridade.

Caminho de novo, outra carcaça, outro ser, um semblante de poucos amigos. Você, fique por aí, nessa cômoda velha, nessa gaveta aos pedaços, eu vou ver o amanhã chegar, pela varanda da minha casa, e um café, um pouco mais amargo, que é para eu acordar e sentir o dia, desde o seu príncipio até o fechar de olhos ao anoitecer...

E tenho dito!
Lenny D.