sábado, 3 de setembro de 2011

Deslizes...

Que comportamento estranho... Esse ser que se apodera do meu corpo não me permite falar.

Através de ti exponho o meu eu mais íntimo e sem ti sou alguém incapaz de me expressar tão claramente... Torno-me uma pessoa acanhada e todo meu arsenal de vocábulos se restringe a meras atitudes desconexas.

Permito-me um pouco, todavia fico mascarado por esse disfarce maroto, de um garoto frágil e bobo. Pudera (e quisera) eu agir de maneira mais natural, porém me sinto de mãos e pés atados, aguardando a oportunidade de você me perceber aqui, nesse canto, pairando olhares por sobre as pessoas, procurando-lhe nessa mistura de sons, fumaça e vozes. Vozes que ecoam em minha mente e não me deixam agir, fazendo com que eu fique a mercê de um outro alguém.

A cabeça perdida nessa confusão e eu continuo lá, com um drink qualquer e um cigarro em outra mão, desfrutando daquele momento de uma forma sútil, aproveitando para planejar uma abrodagem mais direta.

Em vão.

Fatalmente chegarei perto de você mais uma vez com o mesmo olhar abobado, sem forças para mostrar-lhe o meu encanto, sem sussurros que acalentem seus ouvidos, sem lábios macios que possam lhe envolver, sentir o gosto dos seus, os quais cobrem um sorriso inocente e maduro, concebendo-me uma ideia de um ser forte e suscetível mas, sem jeito, fico só analisando de "longe", imaginando como seria transgredir os limites da minha imaginação para alguns segundos de realidade!

Ouço passos, e rumores de que você não está mais lá. Eis que me surge uma possibilidade, não muito segura, mas uma possibilidade. Entre um pedaço de papel e uma caneta, dedico-lhe algumas palavras que consegui, pelo menos dessa maneira: "Desculpe a indiscrição, mas só sei falar com olhares e palavras escritas".

Talvez tenha sido um último contato, mas o suficiente para me confortar momentaneamente. Por mais sútil e infantil que possa ter sido, a transgressão de parte da minha mente foi feita e, certo de que você sabe que fui eu, nem me dei ao trabalho de assinar. E assim, alimento uma esperança de ter lhe encorajado a fazer algo mais, seja querer saber mais ou simplesmente nunca mais me ver!

Eu fui além de mim...

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